
Pelas palmas das suas mãos desliza o seu corpo, o corpo dela e perfuma com o seu aroma todos os recantos da pele, da pele de ambos. Gosta de divergir entre os dois corpos como se um fosse a continuação do outro. A mão resvala para o seu seio, da sua coxa vasta para os glúteos que aperta com firmeza. Com a ponta dos dedos gosta de recolher a saliva dos lábios e tocar suavemente nos mamilos desenhando pequenos círculos. Mergulha todo o seu corpo no anseio de recolher as torrentes aninhadas nos lençóis. Descobre o silêncio. O silêncio do mundo. A inexistência única de qualquer ruído. Até os pássaros emudeceram. Foi como se tudo à sua volta pairasse no ar. O som único dos seus batimentos cardíacos e a respiração ofegante escutada pelo interior levam-na a acreditar que os sentidos são mais do que conhecia. Não se abandona. Fica. Permanece concentrada unicamente naqueles sons. Seus. E concentrada no emudecimento que persiste à sua volta, até que o mundo ganha novamente as cores e os sons de sempre e o seu corpo volta a assumir a sua forma nata.
Todos os sentidos são poucos para se descobrir.
O silêncio e a voz longínqua mergulhada nas ondas do seu mar dão um novo sentido ao prazer dos seus corpos.
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